Garimpo na Amazônia explodiu entre 2018 e 2022, aponta levantamento do MapBiomas
Um levantamento realizado pelo MapBiomas, plataforma colaborativa de monitoramento do uso e cobertura do solo no Brasil, revelou um crescimento expressivo da atividade garimpeira na Amazônia entre os anos de 2018 e 2022. Os dados reforçam a preocupação de pesquisadores, gestores públicos e organizações ambientais sobre o avanço do garimpo ilegal em uma das regiões mais biologicamente ricas e sensíveis do planeta.
O que o levantamento aponta
O mapeamento do MapBiomas utiliza imagens de satélite e algoritmos de classificação para identificar e quantificar áreas afetadas por diferentes tipos de uso do solo ao longo do tempo. No caso do garimpo, a metodologia permite detectar a supressão de vegetação nativa, a abertura de cavas, a presença de dragas em rios e o assoreamento de corpos hídricos — marcas características da mineração artesanal e ilegal.
Segundo o levantamento, o período entre 2018 e 2022 concentrou uma expansão significativa das áreas garimpadas na Amazônia Legal, evidenciando uma aceleração do fenômeno em relação a anos anteriores. A análise temporal produzida pela plataforma permite observar como o avanço do garimpo se intensificou de forma progressiva ao longo desse intervalo.

Impactos ambientais e sociais
O garimpo ilegal na Amazônia é associado a uma série de consequências graves. Entre os principais impactos ambientais estão o desmatamento de áreas de floresta primária, a contaminação de rios e igarapés por mercúrio — substância utilizada no processo de separação do ouro —, a destruição de habitats aquáticos e terrestres e o comprometimento da qualidade da água consumida por comunidades ribeirinhas e indígenas.
No campo social, a atividade garimpeira ilegal frequentemente se expande sobre territórios indígenas demarcados, gerando conflitos fundiários, disseminação de doenças e violações de direitos humanos. Comunidades tradicionais que dependem dos rios e da floresta para subsistência são diretamente afetadas pela degradação ambiental causada pelo garimpo.
O papel do monitoramento por satélite
Ferramentas como as desenvolvidas pelo MapBiomas são fundamentais para o acompanhamento sistemático das mudanças no uso do solo na Amazônia. A capacidade de monitorar grandes extensões de território de forma contínua e com base em dados objetivos representa um avanço importante para a fiscalização ambiental, permitindo que órgãos governamentais, organizações da sociedade civil e a imprensa acompanhem a evolução do problema com maior precisão.
A geotecnologia desempenha, nesse contexto, um papel estratégico. O cruzamento de imagens de satélite com dados socioeconômicos, fundiários e de biodiversidade amplia a capacidade analítica e contribui para a formulação de políticas públicas mais embasadas e eficazes no combate ao desmatamento e ao garimpo ilegal.
Contexto e relevância
O período mapeado pelo levantamento coincide com um momento de enfraquecimento dos mecanismos de fiscalização ambiental no Brasil, o que, segundo analistas, pode ter contribuído para o avanço do garimpo. A retomada do monitoramento e do enforcement ambiental é apontada como condição essencial para conter a expansão da atividade ilegal e proteger os biomas brasileiros.
O levantamento do MapBiomas reafirma a importância do uso de dados e tecnologia para a transparência ambiental e para a tomada de decisão baseada em evidências — valores centrais para empresas e instituições que atuam no campo da geotecnologia e da inteligência de dados aplicada ao meio ambiente.
Este artigo foi produzido com base em informações públicas disponibilizadas pelo MapBiomas. A Novaterra acompanha e divulga dados relevantes sobre o uso de geotecnologia e inteligência de dados no monitoramento ambiental.
